Cada vez mais, vejo como o silêncio é a atitude mais elouquente que se pode ter, diante de tantas situações.
No entanto, estou pensando aqui, em comentários depreciativos.
Não nego que já fiz e talvez ainda faça isso.
Mas quando alguém grita bem alto, em um lugar público, para todos ouvirem, algo como "QUE RIDÍCULO!!!!!" - eu me sinto beeem mal.
Ainda que eu tivesse cometido algo que fosse digno de nota, que pudesse ser mandado pras vídeo-cassetadas do Faustão (vamos combinar, existem realmente coisas ridículas nesse mundo), eu não espero esse tipo de atitude de alguém que um dia disse que me amava...
E é difícil até de tolerar, porque, convenhamos, a gente tem que perdoar, ser indulgente e benevolente, mas peraí, né?
É desse jeito que pessoas que se amam devem se tratar?
Tenho me perguntado muito isso e a resposta tem sido bastante óbvia.
Alguém diria: "vocês tem que conversar". E a gente tem conversado, mais do que nunca.
Mas, mesmo assim, antes de dormir eu me lembro de tantos assuntos positivos e importantes que eu queria ter tocado, e não consegui, porque todo tempo foi absorvido com corrosivos e venenos...
Antes, quando eu ficava em silêncio, pensavam que existia uma barreira intransponível. No entanto ela nunca existiu.
Acontece é que eu deixava as feridas sangrarem quietas, ao sabor do tempo.
E não emprestava uma adaga para que o outro pudesse fazê-las ainda mais profundas.
"O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja."
(Augusto dos Anjos)

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