domingo, 18 de outubro de 2009

Gangorra

18/10/2009 2:28 am

Ele tinha o direito de ficar alimentando aparente carência e desejos, para que não pudessem ser saciados?

Pra que terminar pra depois se arrepender?
Pra que impor seu tempo se isso não resulta no que você queria?
Pra que continuar tentando uma reconquista se, diante dessa ser uma real possibilidade, você muda de idéia?

É difícil saber o que você quer. Mais ainda, descobrir o que eu quero.
Um fato eu comprovei: vê-lo se afastar bruscamente, não me agradou em nada.
Então, de repente, você olha pro seu umbigo e decide que vai ser assim.
E eu fico aqui, com essa cara inchada de tanto chorar de desespero, me perguntando sinceramente: por que não fiz exatamente isso, eu mesma?
Por que eu tenho que ser tão preocupada com os sentimentos dos outros, se, aparentemente os meus, deixam de ter importância de um dia para o outro – literalmente! - pra vc???

Depois de provocar minhas lembranças e sentimentos, de todas as formas, você decide que agora você precisa de um tempo.
Depois de instalar plenamente em mim uma confusão sem tamanho que se possa medir, você acha que é melhor mesmo se afastar porque você está sendo uma ancora na minha vida.
Depois de fazer com que eu me pergunte, mil vezes por dia, se voltar não seria uma alternativa totalmente excelente, você encontra outra alternativa pra você.

Ora, engraçado!
Irônico, eu diria!
Cruel, praticamente.

Ah, homens! Por algum tempo, eu quase me esqueci que você pertence a essa espécie.
Eles não se contentam, sob hipótese alguma, em sair da sua vida sem lhe causar algum dando bem relevante!
E normalmente jogam bem baixo pra conseguir isso, nem que seja depois de um término aparentemente amigável! Nem que seja jogando com a sua consideração e carinho por eles!
Mas parece que, desde a adolescência, esse foi o caminho!
Decepcionar profundamente a outra pessoa, pra que então, ela se encha de orgulho – e talvez um pouquinho de raiva – e dê a volta por cima.
Talvez seja mesmo melhor assim.

De um desencontro desses, não se pode dizer nem que seja novidade.
Pra quem passou o namoro todo brincando de gangorra, isso é só mais do mesmo.
Embora fosse uma brincadeira bem séria, é claro, e também a gangorra em si ser um problema – pelo visto nunca resolvido – não é de se espantar que a gente ainda se reveze nos altos e baixos dessa relação.

O problema é que se um dos dois vai sair da gangorra, quem vai amortecer a queda?
E quem vai dar o próximo impulso pro outro subir?


Ou será que chegou a hora de parar de brincar e namorar de verdade?

4 comentários:

Fabio Rocha disse...

É, Gi, finais são sempre essas porcarias mesmo. Mesmo se o outro agisse de outra forma, seria desconfortável. Mas o melhor de tudo é bem simples: passa. Com o tempo, tudo passa. Beijos

Fabio Rocha disse...

P.S.: Bom te ler de novo! ;)

Fabio Rocha disse...

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(Drummond)

Layla disse...

Gi minha irmã, vi o recadinho fofo que você deixou no meu blogue... Viu só de onde vêm as famosas "lamparinas do juízo"? Hehehe. Uma metáfora mais que interessante, não?
Quanto às gangorras em que nos metemos, depois de tanto subir e descer nesse aparelho desconfortável, comecei a me fazer a pergunta: por que (ou para que) isso está acontecendo? Qual o sentido desse sobe e desce?
A resposta é muito pessoal, cada um tem a sua. Mas, para mim, tentar responder a essa pergunta, no que dizia respeito à minha vida, valeu muito à pena.
Por fim, penso que, se for me apropriar de um parque de diversões para descrever alguns sentimentos, acho que o que mais vivi foram escorregadores: despencava lá de cima até embaixo em fração de segundos... hehehe.
Um beijo querida!